sexta-feira, 28 de junho de 2013

O café estava esfriando. O silencio tomava conta da sala, tantas pessoas e todos absurdamente silenciosos e desprovidos de qualquer sentimento bom. Palavras, gritos, tapas e abraços abafados pela pressão de tantos problemas minúsculos. Tantas frases prontas que coçavam para pular da língua (…)
O café estava esfriando. “Amigos são amigos até quando é conveniente para eles” por dentro eu ri, frase clichê que coube exatamente em mim, só enquanto é conveniente, só enquanto a disponibilidade, só enquanto a fofocas, só enquanto a bobeiras a se dizer. Maturidade é idiotice! Quero ser criança pra sempre, quero rir das idiotices, quero não entender piadas maliciosas e quero não pensar no futuro (…) maturidade é idiotice mas chega cedo e você para de achar graça nas piadas, procura outros espaços, outras sinfonias e outros cheiros, outros calores e outras novidades (…)
O café estava esfriando. Eu quero ser menininha, quero correr na rua, passar vergonha e não ter vergonha, quero pular na chuva, levar ovada e rir na cara dos outros, quero dormir na casa das minhas amigas e ver filme de terror, quero ser menininha.
O café esfriou e todos continuavam no inabalável silêncio, desprovidos de sentimentos bons. O café esfriou, a noite caiu e palavras não foram ditas e nem ouvidas. Um café cairia bem agora.

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